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Transições

Como parte das comemorações do aniversário de 25 anos do Memorial da América Latina, foi organizado um conjunto de três shows, em dias consecutivos, tive a oportunidade de conferir o do terceiro dia, do Marcelo Jeneci e companhia =)

O show foi muito bacana, com uma super energia gostosa.  Sabia uma grande parte das músicas novas porque já tinha escutado todas no canal Jenecine.

Começou com atraso, porque pouco antes do horário caiu uma chuva forte. Havia barracas de comidas e bebidas e o público era bem diverso, com mamães e nenéns, casais, pessoas com cachorros, skatistas, e até um senhorzinho saído da rodoviária da Barra Funda, com direito à mala, chapéu e todo o charme e irreverência.

Vim destacar essa frase da música Alento que tem tudo a ver com o momento que estou vivendo, de transição, quando bate vira e mexe um quase-desespero, quando “tudo se desestrutura pra você se estruturar”. 

Alento
Marcelo Jeneci

Se o vento parar e o sol castigar
Num dia ruim, num trânsito sem fim
Se o gás acabar e o sonho ruir
Se o choro chegar e o céu te engolir

Nossa música que lhe faz bem
Você pode descer desse trem
Olhe um pouco pro lado
Não tem cadeado no seu pensamento

Olhe o mundo girando no chão
Olhe a pipa no céu, avião
Olha a sombra da árvore
Se oferecendo pra dar um alento

Se a grana apertar e o prazo vencer
Seu copo tombar, seu time perder
Se alguém se foi, não tente entender
O que se passou segue com você

Nossa música que lhe faz bem
Você pode descer desse trem
Olhe um pouco pro lado
Não tem cadeado, no seu pensamento

Olhe o mundo girando no chão
Olhe a pipa no céu, avião
Olha a sombra da árvore
Se oferecendo pra dar um alento

Tudo se desestrutura pra você se estruturar
Quando a fruta tá madura, ela pode se jogar
Sinta as pernas na cintura, se levante pra andar
Se é o chão que te segura, deixa o chão desmoronar

Por que instalar um aeródromo em Parelheiros é um erro

No ato a favor da Agricultura Familiar, com agricultores da região de Parelheiros, tive o primeiro contato com esse tema do Aeródromo, mas não sabia de nada até então.
Achei essencial pra gente se atentar ao que está acontecendo em outras partes da cidade, para além do nosso bairro; e que nos afeta diretamente, como Raquel Rolnik esclarece.

blog da Raquel Rolnik

Manifesto
Por que é errado instalar um aeródromo em Parelheiros, área de produção de água da cidade de São Paulo

Introdução
Pesquisadores, doutores ou titulares, especialistas reconhecidos em diversas universidades brasileiras vêm a público manifestar seu desacordo com o projeto de instalação de um Aeroporto na região de Parelheiros, ao sul do Município de São Paulo, devido a estar a iniciativa em total conflito com a legislação municipal, estadual e federal, conforme exposto a seguir.

O uso proposto é incompatível com o zoneamento municipal, com diversas leis estaduais de proteção ambiental e de mananciais e com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Lei Federal 9985/2000).

O projeto de implantação de um aeródromo em Parelheiros para atender jatos executivos e companhias de táxi aéreo, denominado de Aeródromo Rodoanel, se aprovado, seria instalado em uma área de aproximadamente 100 hectares, localizada às margens da represa Guarapiranga, mais precisamente em um espaço…

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é só pular?

Ontem fomos ao centro velho, perto da Praça da Sé. Decidimos ir de ônibus, “por baixo” pegando a matarazzo.

Na parada de ônibus que chama Palmeiras, o ponto de ônibus fica no meio da avenida, estilo corredor mesmo. Nos últimos dias aquele pedaço está em obras, até aí tudo bem, maravilha, tem que fazer manutenção e arrumar as coisas mesmo. Só que, opa, eu penso que se tem que melhorar e não piorar a situação.

Criaram uma “guia” no canteiro central pra quem vem da calçada do palmeiras e quer chegar no ponto que é mais que inacessível, um verdadeiro obstáculo. Não há faixa de pedestres pintada ainda, então alguns carros nem param no lugar certo. Eu e o meu namorado passamos, afinal, pra nós “é só pular, né?”. Mas, depois dessa primeira etapa, você cai no canteiro, cheio de pedras soltas, desnivelado, confuso.

Uma verdadeira armadilha se querem saber minha opinião. Porque, se a pessoa demora a pular, fica na rua, à mercê dos carros.

Junto conosco atravessou um rapaz, ele usava um carrinho. Na primeira vez que bati os olhos, achei que fosse um carrinho de bebê; para depois perceber que as coisas dele estavam no carrinho (mochila e sacolas).

Eu não tinha percebido nada, mas ele tinha alguma deficiência motora (ele também apresentava dificuldade de fala o que cria um empecilho para pedir ajuda; ele precisava do carrinho para se locomover. Agora, o que acontece se o carrinho não tem como deslizar? A locomoção dele fica prejudicada, porque não há estabilidade e ele não conseguiu se apoiar.

Estávamos esperando o ponto, quando vimos ele caindo no chão do canteiro central, em cima terra e pedras. Fomos ajudá-lo, ele foi pra direção oposta à nossa…Ainda observamos depois ele ainda acabou perdendo o primeiro ônibus porque ninguém mais chamou e acho que o motorista não viu (aqui vale o seguinte: a culpa NÃO é do motorista, porque, afinal, na multidão de pessoas de pé, a visibilidade fica difícil sim) – segue uma sugestão: por que não um sistema mais acessível para chamar ônibus? Como um botão perto dos bancos e do ponto, e que acenda uma luz na altura do motorista do ônibus?

Depois algumas senhorinhas foram atravessar a rua e também tiveram que tomar muito cuidado.

Estou falando tudo isso porque lembrei também de um episódio numa calçada aqui perto de casa. A rua é uma decida moderada, e a mãe estava indo à frente, com o filho (criança de uns 6 anos no máximo) logo atrás. Quando ele tropeçou num desnível e caiu, comovendo todos que tinham acabado de descer do ônibus e estavam indo na mesma direção, ela deu uma bronca nele!

“Eu disse pra você não correr” – acontece que a criança não estava correndo, a culpa não foi exatamente dela. Por que muitas vezes o primeiro reflexo é justamente culpabilizar a parte claramente prejudicada?

Aí, alguém pode pensar “é só prestar atenção enquanto anda”  e, no caso relatado anteriormente, vai falar que “é só pular?”.

Só pra falar mesmo, caí duas vezes no fim do ano passado, e nas duas estava andando na calçada, sem correr, quedas que resultaram em corte e sangue.

Citação

Eu creio no poder das palavras

Eu creio no poder das palavras, na força das palavras, creio que fazemos coisas com as palavras e, também, que as palavras fazem coisas conosco. (…)
Aristóteles definiu o homem como zôon lógon échon. A tradução desta expressão, porém, é muito mais “vivente dotado de palavra” do que (…) animal racional.
Quando fazemos coisas com as palavras, do que se trata é de como damos sentido ao que somos e ao que nos acontece, de como correlacionamos as palavras e as coisas, de como nomeamos o que vemos ou o que sentimos e de como vemos ou sentimos o que nomeamos.

Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Jorge Larrosa Bondía. In: Revista Brasileira de Educação, jan/fev/mar/abr, 2002, n. 19.

Texto sobre o qual ainda não sei muito bem o que dizer, diferente do que eu imaginava. Li por indicação de um amigo.

Pra quem se interessou: http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n19/n19a02.pdf