é só pular?

Ontem fomos ao centro velho, perto da Praça da Sé. Decidimos ir de ônibus, “por baixo” pegando a matarazzo.

Na parada de ônibus que chama Palmeiras, o ponto de ônibus fica no meio da avenida, estilo corredor mesmo. Nos últimos dias aquele pedaço está em obras, até aí tudo bem, maravilha, tem que fazer manutenção e arrumar as coisas mesmo. Só que, opa, eu penso que se tem que melhorar e não piorar a situação.

Criaram uma “guia” no canteiro central pra quem vem da calçada do palmeiras e quer chegar no ponto que é mais que inacessível, um verdadeiro obstáculo. Não há faixa de pedestres pintada ainda, então alguns carros nem param no lugar certo. Eu e o meu namorado passamos, afinal, pra nós “é só pular, né?”. Mas, depois dessa primeira etapa, você cai no canteiro, cheio de pedras soltas, desnivelado, confuso.

Uma verdadeira armadilha se querem saber minha opinião. Porque, se a pessoa demora a pular, fica na rua, à mercê dos carros.

Junto conosco atravessou um rapaz, ele usava um carrinho. Na primeira vez que bati os olhos, achei que fosse um carrinho de bebê; para depois perceber que as coisas dele estavam no carrinho (mochila e sacolas).

Eu não tinha percebido nada, mas ele tinha alguma deficiência motora (ele também apresentava dificuldade de fala o que cria um empecilho para pedir ajuda; ele precisava do carrinho para se locomover. Agora, o que acontece se o carrinho não tem como deslizar? A locomoção dele fica prejudicada, porque não há estabilidade e ele não conseguiu se apoiar.

Estávamos esperando o ponto, quando vimos ele caindo no chão do canteiro central, em cima terra e pedras. Fomos ajudá-lo, ele foi pra direção oposta à nossa…Ainda observamos depois ele ainda acabou perdendo o primeiro ônibus porque ninguém mais chamou e acho que o motorista não viu (aqui vale o seguinte: a culpa NÃO é do motorista, porque, afinal, na multidão de pessoas de pé, a visibilidade fica difícil sim) – segue uma sugestão: por que não um sistema mais acessível para chamar ônibus? Como um botão perto dos bancos e do ponto, e que acenda uma luz na altura do motorista do ônibus?

Depois algumas senhorinhas foram atravessar a rua e também tiveram que tomar muito cuidado.

Estou falando tudo isso porque lembrei também de um episódio numa calçada aqui perto de casa. A rua é uma decida moderada, e a mãe estava indo à frente, com o filho (criança de uns 6 anos no máximo) logo atrás. Quando ele tropeçou num desnível e caiu, comovendo todos que tinham acabado de descer do ônibus e estavam indo na mesma direção, ela deu uma bronca nele!

“Eu disse pra você não correr” – acontece que a criança não estava correndo, a culpa não foi exatamente dela. Por que muitas vezes o primeiro reflexo é justamente culpabilizar a parte claramente prejudicada?

Aí, alguém pode pensar “é só prestar atenção enquanto anda”  e, no caso relatado anteriormente, vai falar que “é só pular?”.

Só pra falar mesmo, caí duas vezes no fim do ano passado, e nas duas estava andando na calçada, sem correr, quedas que resultaram em corte e sangue.

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