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sentimentos caninos

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Estava passeando com o Bethoven, que, por decisão própria (como sempre esse cachorro genioso faz) prosseguiu mais adiante numa rua que há algum tempo não entrávamos.

Bethoven quis ir até o fim, cheirando, marcando território, mordiscando um matinho aqui e ali.

Virou à direita, na rua super íngreme com nome de cidade francesa – nome que nunca entendi, pois destoam dos outros nomes do bairro, fui atrás.

Bethoven seguiu ladeira abaixo, quis atravessar a rua, do jeito inconsequente que sempre faz, sem entender que a rua não é feita para cachorros e que os carros não são só feitos pra levar pra casa da batian. Parou na frente da casa simples, de muro baixo, portãozinho verde fácil de abrir.

Não queria sair de lá. Bethoven não tinha se dado conta de que o fusca verde não estava na garagem, o passarinho não tomava sol, a tartaruga não ia estar lá para brincar com ele. Na cabeça do Bethoven, ele ia entrar, receber carinho, ser saudado como “Ô, branquinho”, beber água no pote de plástico branco.

Falei pra ele: “vem, Bethoven, ele não está mais aí.” puxei a guia de leve, ele então, com seus sentimentos caninos, ressabiado, obedeceu.