Galeria

Christian Boltanski 19.924.458 +/-

Christian Boltanski – Sesc Pompeia from estúdio zut on Vimeo.

Na falta de uma, fui duas vezes à exposição 19.924.458 +/-, do Christian Boltanski no Sesc Pompéia, que tem tudo a ver com a proposta do blog de pensar sobre o que é estar “nas cidades” – pensando aqui, que de acordo com a experiência de cada pessoa com o ambiente em que vive constituiria uma multiplicidade de “cidades” dentro de uma só.

Segundo o site do Sesc, a exposição fica em cartaz até hoje. Caso seja prorrogada, ou dê tempo de dar um pulinho lá, não veja o vídeo! Acho que acaba com parte da mágica da instalação…

Eu não conhecia o trabalho do artista, que se auto definiu “um minimalista sentimental”; mas fiquei bastante curiosa para ver uma exposição feita especialmente para o espaço do Sesc Pompéia – e baseada em uma visita feita à cidade de São Paulo.A instalação está na área de convivência do Sesc, foram utilizadas (números oficiais, confesso que não contei) 950 torres de papelão que foram forradas com listas telefônicas (daquelas estilo páginas amarelas, sabe?). Os “lagos” do espaço foram super bem utilizados – afinal, São Paulo tem seus rios e pontes…

Li, por aí que a exposição trataria sobre morte e vida…Mas a impressão que tive foi de se tratar sobre o (mal)estar na cidade. Em algumas caixas foram colocadas caixas de som com depoimentos de imigrantes. É bem interessante ver as semelhanças e diferenças em cada depoimento. Em mais de um pode-se perceber a ideia de uma cidade que não é feita para as pessoas.

Agora, as explicações para o flash de luz seria que a cada dois minutos e 4o segundos uma pessoa nasce na cidade, e o apagão a cada seis minutos (parece que varia o tempo) indicaria uma morte. Em entrevista, se acordo com O Estado de S. Paulo, o artista teria afirmado que quis fazer um retrato da “fragilidade da vida”e não reproduzir São Paulo.

Fiquei com a impressão de que faz as duas coisas, e que, cada vez mais, quem vive em grandes metrópoles como essa sabe que não só não são excludentes, mas cada vez mais intrínsecas.

Há ainda três ambientes: documentário sobre o artista que passa numa TV com sofás na frente; sala do coração (onde pode-se gravar as batidas do seu coração para fazerem parte do acervo de Boltanski que fica numa ilha do Japão) e o piso superior – com algumas frases adesivadas na parede do local de leitura.

multitude

multitude

Essa é pra ficar com vontade de ver a outra exposição em cartaz (que não deu tempo de eu visitar com o devido cuidado ainda, chamada Multitude – parece que tem uma proposta bem “diferentona”).

P.S.: as fotos aqui inseridas são de minha autoria e, peço desculpas pela má qualidade, tentarei melhorar nas pŕoximas !

 

 

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Nota

Viagem

Estava no ônibus que passa na consolação e vai até dentro da USP. Era tempo de maluquice, sair de Cotia bem cedinho – eu e meu pai nos denominávamos “madrugadores da Granja”, pra ir pra São Paulo. Aulas pela manhã no curso de Letras do Mackenzie, almoço lá mesmo e ônibus pra USP, aula das 14h às 18h do curso de História.

Estava sentada na parte da frente, segunda fila, assento da janela. Uma senhorinha entra carregando uma mala bem, bem grande, com alguma dificuldade. Ela senta-se ao meu lado, coloca a mala no espaço em frente ao assento e levemente encolhe as pernas.

“Eu vou viajar” – ela me diz, com orgulho, olhando pra mala.

“É a primeira vez que vou visitar os meus parentes, está tudo certo, combinei com a patroa” – eu sorrio, olho pra ela e olho pra mala.

Seguimos o resto da viagem em silêncio – mas não foi um silêncio constrangedor. Foi um silêncio em que eu tinha a certeza de que ela se imaginava viajando com sua mala nova, visitando os parentes, pela primeira vez.

 

Status

Delicada, eu?

Atrasada para o Encontro Paulista de Museus, cheguei na estação Portuguesa-Tietê. Não fui abençoada com um senso de direção primoroso, ao que fui andando meio perdida e tentando encontrar alguma placa.

Avistei um grupo de três seguranças, me aproximei meio sem jeito, como sempre ao abordar alguém que esteja em um grupo, diringindo-me ao mais velho deles, que olhava em minha direção:

“Bom dia” – falei como sempre falo acho, mas saiu como quem diz “licença, desculpe incomodar”.

“Bom dia, simpatia! Nossa, que delicada que você é! Continue sempre assim, você falou de um jeito tão delicado…”

Fiquei envergonhada, sem saber se devia agradecer ou não e lembrei rapidamente que muita gente não me acha delicada. Fui com a saída mais fácil, esbocei um sorriso, e perguntei qual era a saída da Rua Voluntários. Ele gentilmente me indicou. Agradeci e desejei novamente um bom dia.

Ah, se todos os dias começassem com pequenas e agradáveis surpresas espontâneas assim…