Escada rolante

Na estação Portuguesa-Tiietẽ, pelo caminho que aprendi com o segurança gentil, tem que passar por uma rampa e acho que duas escadas rolantes. Mesmo em dia de semana, o fluxo lá é intenso: pessoas apressadas (e por vezes perdidas) carregando sacolas, mochilas, malas de carrinho, travesseiro, colchonete, compras…e, vira e mexe, a tolerância não é das maiores, rola aquele empurra-empurra agravado por tantos volumes circulando.

Eu estava pra pegar o que seria meu segundo e último lance de escada rolante. O fluxo estava incrivelmente tranquilo, talvez pelo horário. De frente para a escada rolante estava uma senhora, com umas três daquele híbrido de mala e sacola, sendo uma delas com carrinho. Um jovem também “carregado” estava no meio da escada, descendo e falando: “vem, vem!”.

Perguntei para a senhorinha: “A senhora quer ajuda com a mala?” – ao que me respondeu – “Ai,filha é que eu tenho medo dessa escada…”.

O rapaz estava no piso debaixo e nos observava, levemente impaciente.

Pegando uma das malas, olhei pra ela e disse “Não tem problema, eu vou com a senhora” – uns dez segundos depois, encaramos a escada, ela na frente e eu logo atrás “Ai…!”.

Aproximando do fim da escada, ela foi ficando receosa, coloquei a mão no ombro dela e disse “Viu? Estamos quase no fim” – saímos da escada rolante. O rapaz estava no canto com as malas, deixei a senhora com ele, e a mala também. Falei algo como “Viu, agora a  senhora já andou de escada rolante” (totalmente idiota, eu sei), mas eles agradeceram muito, uns três “muito obrigada” e uns três “Deus te abençoe”.

Acho que tudo que aquela senhora precisava era de alguém para lhe encorajar e acompanhar, sem brigar com ela. Alguém que não achasse ridículo seu medo de escada rolante (e eu lembro que quando criança estas me pareciam grandes, complicadas e quase infinitas – e sempre pulava no fim, quando estava com braço dado com meus pais por medo do fim. Sem contar que mesmo depois de “adulta” já quase fui atropelada algumas vezes).

 

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