exercício de humildade

A gente pensa, pensa e pensa. Finalmente, toma coragem pra escrever sobre o que fica entalado na garganta. Nesse meu período atual tenho aproveitado o tempo para estudar, ir a eventos diferentes e conhecer/fazer coisas novas. Resolvi escrever sobre minhas impressões e comentários sobre eventos etc, pra ver se é útil pra alguém. Ou, num movimento mais egoísta, para eu me

Ontem, fui no Seminário Internacional de Educação Popular da Ação Educativa, como sempre, bem animada para conhecer a experiência de outras pessoas e me formar educadora aos poucos, nesse trabalho de auto-formação permanente da vida.

Gostaria de deixar registrado que gostei bastante da programação.

A parte da manhã foi OK, na minha opinião. O que gostei foi da programação da tarde. Na última mesa, intitulada “Educação Popular e movimentos, novas linguagens e novas ações coletivas”, houve um momento mais acalorado de debate – causado em grande maioria, me parece, pela colocação da Profa. Dra. Conceição Paludo, da Federal de Pelotas – algo como: se alguém me ajudar a enxergar qual é a diferença entre o que se faz hoje no movimento social em educação, e o que se fazia na década de 80.

O que me incomoda nesse tipo de colocação é a dificuldade que existe em enxergar o “jovem” que está lá se expondo e fazendo um balanço honesto do movimento, como um par, como um igual. Acho que essa dificuldade pode existir para todos nós, em inúmeras situações cotidianas, mas não esperava que ela se fizesse presente na fala da professora e de outras professoras envolvidas em educação popular, e que também se auto denominam como militantes.

Uma certa arrogância, eu diria, uma dificuldade de reconhecer que os novos movimentos sociais, trazem sim inovações (palavra da moda) –  detalhe: a mesa anterior havia discutido justamente a questão  da recepção do “novo” pelos movimentos sociais tradicionalmente estabelecidos. Não vou aqui ficar falando sobre as chamadas “Jornadas de junho”, mas a professora Conceição fez questão de trazer uma fala crítica e questionadora (que eu apreciei bastante), de trazer que a crítica radical (no sentido de raiz) é uma necessidade,  além de ter feito uma análise materialista histórica.

É claro que pode-se apontar pontos em comum nas práticas atuais dos movimentos sociais e também os da década de 1980, como o trabalho na base e  outros pontos. Mas no momento de reconhecer um  outro contexto, e as diferenças entre as práticas cai-se na tábula rasa (ou quase), por cegueira e dificuldade de se fazer um exercício de humildade.

Mas, opa, isso é só a minha humilde opinião.

 

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