Hora de almoço

Hora de almoço
Saída da escola
A procura da moeda

A caminhada até o trem
A alegria de voltar pra casa
Vontade de ir ver a vó

“Gosto tanto da minha vozinha”
Isso filho, que bom
A sua vozinha tem que estar sempre no seu coração.

“Mamae, quero ver a minha vozinha
Tenho saudades e gosto tanto dela”
Ele diz, na sua voz de cinco anos de idade, uniforme da escola da prefeitura.

Mas já tinha mais de mês
Que a vozinha havia ido
Pra sempre, de vez
Ela havia partido

Não carecia explicação
nem sim, nem não
Só havia um dever:
O de guardar no coração

Porque era mais que meio dia
Na rua Mauá
Onde as grades são os travesseiros
Que tem pra se deitá

Saudades porque sou gente

A saudade veio e me pegou de jeito.

Saudade de conversar e ver as carinhas de pessoas que se tornaram tão queridas pra mim.

Cadê tempo de rever, sentar conversar, se os nossos horários de trabalho, rotina louca, estudos e coisas mundanas não conseguimos conciliar?

Posso ter saudade mesmo se nem consegui por a roupa pra lavar?

Quando nos acostumamos a ver as pessoas todos os dias, quando os vemos mais do que a nossa família, cachorro, namorado, amante.

Quando de repente aquela colega virou sua amiga, quando você tem tempo livre e lembra de gente querida.

Sim, sinto saudades, será que estou doente? Sinto saudades, porque eu sou gente.