Hora de almoço

Hora de almoço
Saída da escola
A procura da moeda

A caminhada até o trem
A alegria de voltar pra casa
Vontade de ir ver a vó

“Gosto tanto da minha vozinha”
Isso filho, que bom
A sua vozinha tem que estar sempre no seu coração.

“Mamae, quero ver a minha vozinha
Tenho saudades e gosto tanto dela”
Ele diz, na sua voz de cinco anos de idade, uniforme da escola da prefeitura.

Mas já tinha mais de mês
Que a vozinha havia ido
Pra sempre, de vez
Ela havia partido

Não carecia explicação
nem sim, nem não
Só havia um dever:
O de guardar no coração

Porque era mais que meio dia
Na rua Mauá
Onde as grades são os travesseiros
Que tem pra se deitá

Neblina

Neblina e pessoas foto daqui: http://nuvemdepalavra.blogspot.com.br/

O tempo fechou
O barco afundou
Cadê o amor?
Se foi, acabou.

Me fala aí de cima
Quem mandou essa neblina
Assim bem fina
Que vem, contamina

Neblina
Que cega
Que tosse
Que para

O pé
A cabeça
A avessa
Atravessa
Desapareça

Neblina
Que vem contamina
Que enverba
Que reverbera

De envoltos e soltos
Neblinamos todos
E neblinamos em nós
Sem perceber, sem voz.
A neblina, menina
Nos transformou
É nossa algoz

Status

Sonho

O ambiente era claro, com amplas janelas de vidro. Estou grávida. Dois meses de gestação e uma barriguinha arredondada.
Só olho para a barriga quando encontro a Lúcia que está numa correria, indo para outro lugar e ela pergunta do tempo.
Estou feliz. Começo a andar em direção a outro ambiente.

Corta.

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Vídeo

“A menina e o tambor” e nossas luzinhas

Há alguns dias atrás, dando uma olhada em um dos grupos que faço parte no facebook, me deparei com uma surpresa muito agradável: a animação A menina e o tambor, um curta de animação dirigido e animado por Thiago Sacramento.

Essa linda animação que foi feita para a série “Livros Animados”, em exibição no Canal Futura, a partir do livro “A Menina e o Tambor” de Sonia Junqueira. Ilustrações de Mariângela Haddad. Trilha sonora original composta por Fernando Moura.

A minha impressão é que o curta trata sobre sensibilidade, percepção, desejo de mudança, rejeição, sobre ser ignorada. No dia em que assisti, lembro que me identifiquei muito com a personagem principal, porque tem dias que, por mais que a gente use a nossa sensibilidade e tente, tente, tente chegar nas pessoas, nada dá certo.

Também tem a ver com uma busca pessoal, pois ela faz tentativas de aproximação diversas antes de se encontrar no tambor. Nessas horas é como se a nossa “luzinha” interna, aquilo que nos move, desse uma apagada, diminuísse o brilho, sabe?

Nesse sentido, a animação fala também sobre existência e resistência e essa frase que encontrei por aí,  cabe muito bem sobre essa questão. Beau Taplin, Shed your sharp edges. (Obs.: sei quase nada sobre esse ser, parece que é australiano, e já escreveu vários livros. Saiba mais aqui na página dele).

“Softness is not weakness.
It takes courage to stay delicate
in a world this cruel.”

em tradução livre: Sensibilidade não é fraqueza. É preciso coragem pra se manter delicad@ em um mundo cruel como esse.

De acordo com a editora, o livro tem como assunto e tema “o poder de emocionar e de arrebatar da percussão, cuja batida binária lembra as batidas do coração”. ❤ Fiquei com muita vontade de ler o livro! Com certeza é possível usá-lo para falar de questões de preconceito, cultura afro, música, artes, experiências pessoais.

Pra quem se interessou, o livro está disponível aqui, por R$34,00. E a própria editora Autêntica disponibiliza no site sugestões de uso dos livros infantis e juvenis em sala de aula, veja aqui.

Galeria

Christian Boltanski 19.924.458 +/-

Christian Boltanski – Sesc Pompeia from estúdio zut on Vimeo.

Na falta de uma, fui duas vezes à exposição 19.924.458 +/-, do Christian Boltanski no Sesc Pompéia, que tem tudo a ver com a proposta do blog de pensar sobre o que é estar “nas cidades” – pensando aqui, que de acordo com a experiência de cada pessoa com o ambiente em que vive constituiria uma multiplicidade de “cidades” dentro de uma só.

Segundo o site do Sesc, a exposição fica em cartaz até hoje. Caso seja prorrogada, ou dê tempo de dar um pulinho lá, não veja o vídeo! Acho que acaba com parte da mágica da instalação…

Eu não conhecia o trabalho do artista, que se auto definiu “um minimalista sentimental”; mas fiquei bastante curiosa para ver uma exposição feita especialmente para o espaço do Sesc Pompéia – e baseada em uma visita feita à cidade de São Paulo.A instalação está na área de convivência do Sesc, foram utilizadas (números oficiais, confesso que não contei) 950 torres de papelão que foram forradas com listas telefônicas (daquelas estilo páginas amarelas, sabe?). Os “lagos” do espaço foram super bem utilizados – afinal, São Paulo tem seus rios e pontes…

Li, por aí que a exposição trataria sobre morte e vida…Mas a impressão que tive foi de se tratar sobre o (mal)estar na cidade. Em algumas caixas foram colocadas caixas de som com depoimentos de imigrantes. É bem interessante ver as semelhanças e diferenças em cada depoimento. Em mais de um pode-se perceber a ideia de uma cidade que não é feita para as pessoas.

Agora, as explicações para o flash de luz seria que a cada dois minutos e 4o segundos uma pessoa nasce na cidade, e o apagão a cada seis minutos (parece que varia o tempo) indicaria uma morte. Em entrevista, se acordo com O Estado de S. Paulo, o artista teria afirmado que quis fazer um retrato da “fragilidade da vida”e não reproduzir São Paulo.

Fiquei com a impressão de que faz as duas coisas, e que, cada vez mais, quem vive em grandes metrópoles como essa sabe que não só não são excludentes, mas cada vez mais intrínsecas.

Há ainda três ambientes: documentário sobre o artista que passa numa TV com sofás na frente; sala do coração (onde pode-se gravar as batidas do seu coração para fazerem parte do acervo de Boltanski que fica numa ilha do Japão) e o piso superior – com algumas frases adesivadas na parede do local de leitura.

multitude

multitude

Essa é pra ficar com vontade de ver a outra exposição em cartaz (que não deu tempo de eu visitar com o devido cuidado ainda, chamada Multitude – parece que tem uma proposta bem “diferentona”).

P.S.: as fotos aqui inseridas são de minha autoria e, peço desculpas pela má qualidade, tentarei melhorar nas pŕoximas !