Hora de almoço

Hora de almoço
Saída da escola
A procura da moeda

A caminhada até o trem
A alegria de voltar pra casa
Vontade de ir ver a vó

“Gosto tanto da minha vozinha”
Isso filho, que bom
A sua vozinha tem que estar sempre no seu coração.

“Mamae, quero ver a minha vozinha
Tenho saudades e gosto tanto dela”
Ele diz, na sua voz de cinco anos de idade, uniforme da escola da prefeitura.

Mas já tinha mais de mês
Que a vozinha havia ido
Pra sempre, de vez
Ela havia partido

Não carecia explicação
nem sim, nem não
Só havia um dever:
O de guardar no coração

Porque era mais que meio dia
Na rua Mauá
Onde as grades são os travesseiros
Que tem pra se deitá

Neblina

Neblina e pessoas foto daqui: http://nuvemdepalavra.blogspot.com.br/

O tempo fechou
O barco afundou
Cadê o amor?
Se foi, acabou.

Me fala aí de cima
Quem mandou essa neblina
Assim bem fina
Que vem, contamina

Neblina
Que cega
Que tosse
Que para

O pé
A cabeça
A avessa
Atravessa
Desapareça

Neblina
Que vem contamina
Que enverba
Que reverbera

De envoltos e soltos
Neblinamos todos
E neblinamos em nós
Sem perceber, sem voz.
A neblina, menina
Nos transformou
É nossa algoz

Galeria

Christian Boltanski 19.924.458 +/-

Christian Boltanski – Sesc Pompeia from estúdio zut on Vimeo.

Na falta de uma, fui duas vezes à exposição 19.924.458 +/-, do Christian Boltanski no Sesc Pompéia, que tem tudo a ver com a proposta do blog de pensar sobre o que é estar “nas cidades” – pensando aqui, que de acordo com a experiência de cada pessoa com o ambiente em que vive constituiria uma multiplicidade de “cidades” dentro de uma só.

Segundo o site do Sesc, a exposição fica em cartaz até hoje. Caso seja prorrogada, ou dê tempo de dar um pulinho lá, não veja o vídeo! Acho que acaba com parte da mágica da instalação…

Eu não conhecia o trabalho do artista, que se auto definiu “um minimalista sentimental”; mas fiquei bastante curiosa para ver uma exposição feita especialmente para o espaço do Sesc Pompéia – e baseada em uma visita feita à cidade de São Paulo.A instalação está na área de convivência do Sesc, foram utilizadas (números oficiais, confesso que não contei) 950 torres de papelão que foram forradas com listas telefônicas (daquelas estilo páginas amarelas, sabe?). Os “lagos” do espaço foram super bem utilizados – afinal, São Paulo tem seus rios e pontes…

Li, por aí que a exposição trataria sobre morte e vida…Mas a impressão que tive foi de se tratar sobre o (mal)estar na cidade. Em algumas caixas foram colocadas caixas de som com depoimentos de imigrantes. É bem interessante ver as semelhanças e diferenças em cada depoimento. Em mais de um pode-se perceber a ideia de uma cidade que não é feita para as pessoas.

Agora, as explicações para o flash de luz seria que a cada dois minutos e 4o segundos uma pessoa nasce na cidade, e o apagão a cada seis minutos (parece que varia o tempo) indicaria uma morte. Em entrevista, se acordo com O Estado de S. Paulo, o artista teria afirmado que quis fazer um retrato da “fragilidade da vida”e não reproduzir São Paulo.

Fiquei com a impressão de que faz as duas coisas, e que, cada vez mais, quem vive em grandes metrópoles como essa sabe que não só não são excludentes, mas cada vez mais intrínsecas.

Há ainda três ambientes: documentário sobre o artista que passa numa TV com sofás na frente; sala do coração (onde pode-se gravar as batidas do seu coração para fazerem parte do acervo de Boltanski que fica numa ilha do Japão) e o piso superior – com algumas frases adesivadas na parede do local de leitura.

multitude

multitude

Essa é pra ficar com vontade de ver a outra exposição em cartaz (que não deu tempo de eu visitar com o devido cuidado ainda, chamada Multitude – parece que tem uma proposta bem “diferentona”).

P.S.: as fotos aqui inseridas são de minha autoria e, peço desculpas pela má qualidade, tentarei melhorar nas pŕoximas !

 

 

é só pular?

Ontem fomos ao centro velho, perto da Praça da Sé. Decidimos ir de ônibus, “por baixo” pegando a matarazzo.

Na parada de ônibus que chama Palmeiras, o ponto de ônibus fica no meio da avenida, estilo corredor mesmo. Nos últimos dias aquele pedaço está em obras, até aí tudo bem, maravilha, tem que fazer manutenção e arrumar as coisas mesmo. Só que, opa, eu penso que se tem que melhorar e não piorar a situação.

Criaram uma “guia” no canteiro central pra quem vem da calçada do palmeiras e quer chegar no ponto que é mais que inacessível, um verdadeiro obstáculo. Não há faixa de pedestres pintada ainda, então alguns carros nem param no lugar certo. Eu e o meu namorado passamos, afinal, pra nós “é só pular, né?”. Mas, depois dessa primeira etapa, você cai no canteiro, cheio de pedras soltas, desnivelado, confuso.

Uma verdadeira armadilha se querem saber minha opinião. Porque, se a pessoa demora a pular, fica na rua, à mercê dos carros.

Junto conosco atravessou um rapaz, ele usava um carrinho. Na primeira vez que bati os olhos, achei que fosse um carrinho de bebê; para depois perceber que as coisas dele estavam no carrinho (mochila e sacolas).

Eu não tinha percebido nada, mas ele tinha alguma deficiência motora (ele também apresentava dificuldade de fala o que cria um empecilho para pedir ajuda; ele precisava do carrinho para se locomover. Agora, o que acontece se o carrinho não tem como deslizar? A locomoção dele fica prejudicada, porque não há estabilidade e ele não conseguiu se apoiar.

Estávamos esperando o ponto, quando vimos ele caindo no chão do canteiro central, em cima terra e pedras. Fomos ajudá-lo, ele foi pra direção oposta à nossa…Ainda observamos depois ele ainda acabou perdendo o primeiro ônibus porque ninguém mais chamou e acho que o motorista não viu (aqui vale o seguinte: a culpa NÃO é do motorista, porque, afinal, na multidão de pessoas de pé, a visibilidade fica difícil sim) – segue uma sugestão: por que não um sistema mais acessível para chamar ônibus? Como um botão perto dos bancos e do ponto, e que acenda uma luz na altura do motorista do ônibus?

Depois algumas senhorinhas foram atravessar a rua e também tiveram que tomar muito cuidado.

Estou falando tudo isso porque lembrei também de um episódio numa calçada aqui perto de casa. A rua é uma decida moderada, e a mãe estava indo à frente, com o filho (criança de uns 6 anos no máximo) logo atrás. Quando ele tropeçou num desnível e caiu, comovendo todos que tinham acabado de descer do ônibus e estavam indo na mesma direção, ela deu uma bronca nele!

“Eu disse pra você não correr” – acontece que a criança não estava correndo, a culpa não foi exatamente dela. Por que muitas vezes o primeiro reflexo é justamente culpabilizar a parte claramente prejudicada?

Aí, alguém pode pensar “é só prestar atenção enquanto anda”  e, no caso relatado anteriormente, vai falar que “é só pular?”.

Só pra falar mesmo, caí duas vezes no fim do ano passado, e nas duas estava andando na calçada, sem correr, quedas que resultaram em corte e sangue.