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“A menina e o tambor” e nossas luzinhas

Há alguns dias atrás, dando uma olhada em um dos grupos que faço parte no facebook, me deparei com uma surpresa muito agradável: a animação A menina e o tambor, um curta de animação dirigido e animado por Thiago Sacramento.

Essa linda animação que foi feita para a série “Livros Animados”, em exibição no Canal Futura, a partir do livro “A Menina e o Tambor” de Sonia Junqueira. Ilustrações de Mariângela Haddad. Trilha sonora original composta por Fernando Moura.

A minha impressão é que o curta trata sobre sensibilidade, percepção, desejo de mudança, rejeição, sobre ser ignorada. No dia em que assisti, lembro que me identifiquei muito com a personagem principal, porque tem dias que, por mais que a gente use a nossa sensibilidade e tente, tente, tente chegar nas pessoas, nada dá certo.

Também tem a ver com uma busca pessoal, pois ela faz tentativas de aproximação diversas antes de se encontrar no tambor. Nessas horas é como se a nossa “luzinha” interna, aquilo que nos move, desse uma apagada, diminuísse o brilho, sabe?

Nesse sentido, a animação fala também sobre existência e resistência e essa frase que encontrei por aí,  cabe muito bem sobre essa questão. Beau Taplin, Shed your sharp edges. (Obs.: sei quase nada sobre esse ser, parece que é australiano, e já escreveu vários livros. Saiba mais aqui na página dele).

“Softness is not weakness.
It takes courage to stay delicate
in a world this cruel.”

em tradução livre: Sensibilidade não é fraqueza. É preciso coragem pra se manter delicad@ em um mundo cruel como esse.

De acordo com a editora, o livro tem como assunto e tema “o poder de emocionar e de arrebatar da percussão, cuja batida binária lembra as batidas do coração”. ❤ Fiquei com muita vontade de ler o livro! Com certeza é possível usá-lo para falar de questões de preconceito, cultura afro, música, artes, experiências pessoais.

Pra quem se interessou, o livro está disponível aqui, por R$34,00. E a própria editora Autêntica disponibiliza no site sugestões de uso dos livros infantis e juvenis em sala de aula, veja aqui.

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Transições

Como parte das comemorações do aniversário de 25 anos do Memorial da América Latina, foi organizado um conjunto de três shows, em dias consecutivos, tive a oportunidade de conferir o do terceiro dia, do Marcelo Jeneci e companhia =)

O show foi muito bacana, com uma super energia gostosa.  Sabia uma grande parte das músicas novas porque já tinha escutado todas no canal Jenecine.

Começou com atraso, porque pouco antes do horário caiu uma chuva forte. Havia barracas de comidas e bebidas e o público era bem diverso, com mamães e nenéns, casais, pessoas com cachorros, skatistas, e até um senhorzinho saído da rodoviária da Barra Funda, com direito à mala, chapéu e todo o charme e irreverência.

Vim destacar essa frase da música Alento que tem tudo a ver com o momento que estou vivendo, de transição, quando bate vira e mexe um quase-desespero, quando “tudo se desestrutura pra você se estruturar”. 

Alento
Marcelo Jeneci

Se o vento parar e o sol castigar
Num dia ruim, num trânsito sem fim
Se o gás acabar e o sonho ruir
Se o choro chegar e o céu te engolir

Nossa música que lhe faz bem
Você pode descer desse trem
Olhe um pouco pro lado
Não tem cadeado no seu pensamento

Olhe o mundo girando no chão
Olhe a pipa no céu, avião
Olha a sombra da árvore
Se oferecendo pra dar um alento

Se a grana apertar e o prazo vencer
Seu copo tombar, seu time perder
Se alguém se foi, não tente entender
O que se passou segue com você

Nossa música que lhe faz bem
Você pode descer desse trem
Olhe um pouco pro lado
Não tem cadeado, no seu pensamento

Olhe o mundo girando no chão
Olhe a pipa no céu, avião
Olha a sombra da árvore
Se oferecendo pra dar um alento

Tudo se desestrutura pra você se estruturar
Quando a fruta tá madura, ela pode se jogar
Sinta as pernas na cintura, se levante pra andar
Se é o chão que te segura, deixa o chão desmoronar