Sobre a busca da felicidade

Estava precisando muito escrever. Quero fazer um post sobre uma  viagem ao Vale do Capão, mas enquanto ele não sai, gostaria de indicar uma história em quadrinhos do site Oatmeal, que veio ao meu conhecimento hoje.

Resolvi fazer uma tradução livre e postar aqui, pra dividir com quem não lê inglês. (A ideia da tradução é ir acompanhando pela tirinha)

Acesse aqui a tirinha http://theoatmeal.com/comics/unhappy

E aqui vai a tradução livre (lembrando que toda tradução é uma traição, hein?)

Gostei por questionar a necessidade de estarmos sempre contentes, alegres, felizes.

Como ser perfeitamente infeliz

Eu não sou uma pessoa feliz.

Quando eu digo isso, as pessoas logo pensam que sou infeliz.

Elas assumem que meu status é binário: ou sou um triunfo cheio de alegria, ou um miserável coitado.

Elas não reconhecem espectro algum, somente dois estados de ser: feliz e infeliz.

Mas eu nunca me senti “feliz”. Eu já senti alegria. Eu já senti êxtase. Ser “feliz” implica em permanência. Implica em você ter completado todos os pré-requisitos. E então você pode sentar no topo da sua pilha gigante de felicidade, pra sempre.

Implica em você ter vencido. Você derrotou o chefão do fim do jogo. Você conseguiu.

Você é um triunfo, você é incrível.

Você é inteiro.

Quando eu questiono essa ideia de felicidade, o contra argumento é sempre o mesmo “Ah, você sabe! O que importa é a jornada.”

Mas também não é assim.

A conversa sobre “a jornada” está sempre associada a ideia de que a jornada é cheia de alegria, sorrisos, diversão e risadas.

Além disso, jornadas precisam de um ponto de chegada, do contrátio você não é o Frodo, mas apenas uma pessoa sem-teto vagando por aí com uma jóia roubada.

O problema com “felicidade” é bem semelhante ao problema com Plutão.

Anos atrás, Plutao perdeu sua designação como planeta, o que causou muito alvoroço.

(Plutão diz: “é bom finalmente conhecer outro planeta!”. Terra diz: “Igualmente, seu testículo espacial inferior!”)

Mas o problema nunca foi Plutão. É a nossa definição de “planeta” que foi o problema. “Planeta” vem do grego, significa, viajante, aquele que perambula, que vaga. Era usado para descrever corpos que se movem no céu sobre um fundo fixo de estrelas.

Era uma maneira vaga de descrever algo complexo.

Um planeta se move em órbita fixa ao redor do sol?

Ele vai abrindo um caminho através dessa órbita?

Ele tem estrelas?

Ele tem que ter certo tamanho? (na plaquinha: Você tem que ser dessa altura pra navegar no sistema solar)

Essas foram as perguntas levantadas quando esclarecemos nossa definição de “planeta”. Foram essas perguntas inteligentes que rebaixaram Plutão.

Plutão não é mais um planeta porque a nossa definição de planeta não era muito boa.

Eu não sou “feliz” porque a nossa definição de feliz não é muito boa.

É uma palavra monocromática usada para descrever um rico, doloroso espectro do sentimento humano.

Nosso senso de felicidade é tão frágil que pode ser destruído simplesmente por perguntarmos se ele existe ou não.

(Diálogo-Olá, estranha criatura! O que você está fazendo? – Estou colormontando. – O que é colormontando? Bom, eu pego esses bplocos e os colococo na pbarede, dessa forma. E se eu montá-los de um certo jeito eles começam a acender. -é lindo.- Obrigado.- Há quanto tempo você faz isso? -Minha vida toda. – Isso te faz veliz? -Veliz? – É, veliz, é quando você se sente bem o tempo. Você sorri bastante porque você está satisfeito. -Ah, eu não sei. Eu gosto de colormontar, só isso. Às vezes meus braços doem de ficar levantando eles, e às vezes eu me sinto frustrada. Mas eu acho isso importante e significativo.

Acho que eu nunca tinha realmente pensado sobre isso até agora. Acho que então não vou tão veliz. Acho que sou inveliz.

-Poxa, que pena. É realmente bonito, mesmo assim.

– Obrigado =( )

Talvez eu seja apenas construído de modo diferente.

Talvez eu tenha nacido ansioso e com raiva e é dessa forma que eu encontro paz com o universo.

Talvez eu seja verdadeiramente miserável, e todos os outros sentem algo que eu não sinto.

Ou talvez eles sejam cheios de merda.

É irrelevante.

Porque eu não sou feliz, e não pretendo ser.

Em vez disso, eu sou ocupado. Sou interessado. Sou fascinado.

Eu faço coisas que importam pra mim, mesmo que elas não me façam “feliz”.

Eu corro. Eu corro cinquenta milhas o tempo todo. Eu corro sobre montanhas até as unhas dos dedos dos meus pés caírem. Eu corro até meus pés sangrarem, minha pele queimar e meus ossos gritarem.

Eu leio.

Eu leio livros longos e complicados sobre coisas muito inteligentes.

E eu leio pequenos livros, bobos, sobre coisas estúpidas.

Eu leio até as histórias deles são mais fascinantes pra mim do que as outras pessoas que estão ao meu redor.

Eu trabalho.

Eu trabalho 12 horas por dia.

Eu trabalho até não conseguir pensar direito e esquecer de me alimentar e a luz lá fora diminuir até um brilho cansado.

Eu trabalho até ficar com cheiro estranho .

Quando eu faço essas coisas. Eu não estou sorrindo ou irradiando de alegria.

Eu não estou feliz.

Na verdade, quando eu faço essas coisas, frequentemente estou sofrendo.

Mas eu as faço porque as acho importantes e significativas.

Eu as acho motivadoras, atrativas, impulsionadoras.

Eu faço essas coisas porque eu quero ser atormentado e desafiado e interessado.

Eu quero construir coisas e então quebrá-las.

Eu quero estar ocupado e belo e cheio até a borda com dez mil partes mexendo.

Eu quero ser machucado para poder me curar.

Eu não sou infeliz. Eu sou só ocupado. Eu sou interessado.

E tudo bem.

Pra quem gostou do tema, recomendo um filme que chama “Divertidamente”(só no título em português que ficou com o trocadilho ;)).  Aqui você encontra mais informações http://www.adorocinema.com/filmes/filme-196960/

Trailer dublado em português.

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Hora de almoço

Hora de almoço
Saída da escola
A procura da moeda

A caminhada até o trem
A alegria de voltar pra casa
Vontade de ir ver a vó

“Gosto tanto da minha vozinha”
Isso filho, que bom
A sua vozinha tem que estar sempre no seu coração.

“Mamae, quero ver a minha vozinha
Tenho saudades e gosto tanto dela”
Ele diz, na sua voz de cinco anos de idade, uniforme da escola da prefeitura.

Mas já tinha mais de mês
Que a vozinha havia ido
Pra sempre, de vez
Ela havia partido

Não carecia explicação
nem sim, nem não
Só havia um dever:
O de guardar no coração

Porque era mais que meio dia
Na rua Mauá
Onde as grades são os travesseiros
Que tem pra se deitá

Experiência

onde está o desenho?

Pois a vida não se apresenta como uma sequência ou corrente uniforme e sem interrupções. Constitui-se de histórias, cada uma com seu próprio tema, seu próprio princípio e movimento dirigido para sua terminação, cada uma com seu próprio e particular movimento rítmico; cada uma com sua própria qualidade não-repetível que a impregna.
A experiência constitui-se de  um material cheio de incertezas, movendo-se em direção a sua consumação através de uma série de variados incidentes.

John Dewey citado por Rejane Coutinho em Vivências e experiências a partir do contato com a Arte.

linhasiluminadasfotos feitas por mim durante experimentação na Exposição Lugar para Desenhar, de Stela Barbieri, que esteve no Sesc Belenzinho. Para saber mais sobre o projeto e para saber um pouco sobre a minha experiência nele https://lanascidades.wordpress.com/2015/06/11/sobre-criancas-arquitetura-brincar-e-escola-de-educacao-infantil/

Status

Sonho

O ambiente era claro, com amplas janelas de vidro. Estou grávida. Dois meses de gestação e uma barriguinha arredondada.
Só olho para a barriga quando encontro a Lúcia que está numa correria, indo para outro lugar e ela pergunta do tempo.
Estou feliz. Começo a andar em direção a outro ambiente.

Corta.

image

Vídeo

“A menina e o tambor” e nossas luzinhas

Há alguns dias atrás, dando uma olhada em um dos grupos que faço parte no facebook, me deparei com uma surpresa muito agradável: a animação A menina e o tambor, um curta de animação dirigido e animado por Thiago Sacramento.

Essa linda animação que foi feita para a série “Livros Animados”, em exibição no Canal Futura, a partir do livro “A Menina e o Tambor” de Sonia Junqueira. Ilustrações de Mariângela Haddad. Trilha sonora original composta por Fernando Moura.

A minha impressão é que o curta trata sobre sensibilidade, percepção, desejo de mudança, rejeição, sobre ser ignorada. No dia em que assisti, lembro que me identifiquei muito com a personagem principal, porque tem dias que, por mais que a gente use a nossa sensibilidade e tente, tente, tente chegar nas pessoas, nada dá certo.

Também tem a ver com uma busca pessoal, pois ela faz tentativas de aproximação diversas antes de se encontrar no tambor. Nessas horas é como se a nossa “luzinha” interna, aquilo que nos move, desse uma apagada, diminuísse o brilho, sabe?

Nesse sentido, a animação fala também sobre existência e resistência e essa frase que encontrei por aí,  cabe muito bem sobre essa questão. Beau Taplin, Shed your sharp edges. (Obs.: sei quase nada sobre esse ser, parece que é australiano, e já escreveu vários livros. Saiba mais aqui na página dele).

“Softness is not weakness.
It takes courage to stay delicate
in a world this cruel.”

em tradução livre: Sensibilidade não é fraqueza. É preciso coragem pra se manter delicad@ em um mundo cruel como esse.

De acordo com a editora, o livro tem como assunto e tema “o poder de emocionar e de arrebatar da percussão, cuja batida binária lembra as batidas do coração”. ❤ Fiquei com muita vontade de ler o livro! Com certeza é possível usá-lo para falar de questões de preconceito, cultura afro, música, artes, experiências pessoais.

Pra quem se interessou, o livro está disponível aqui, por R$34,00. E a própria editora Autêntica disponibiliza no site sugestões de uso dos livros infantis e juvenis em sala de aula, veja aqui.